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Fila do INSS cai enquanto indeferimentos aumentam e negativas chegam perto de 1 milhão

fila do INSS cai enquanto indeferimentos aumentam
Publicado por Mello e Furtado Advocacia

Escritório de advocacia especialista em INSS e Previdência Social

Sumário

    A fila do INSS cai enquanto indeferimentos aumentam em 2026. Além disso, o número de pedidos rejeitados cresceu 70% no primeiro semestre.

    Segundo dados do Ministério da Previdência Social, a fila chegou a 1,8 milhão de benefícios represados em junho. Depois, caiu para 1,55 milhão no fim de julho.

    Com isso, o estoque atingiu o menor nível em 21 meses. No acumulado do ano, a redução chegou a 74%.

    Ao mesmo tempo, porém, os indeferimentos avançaram rapidamente. Em junho, quase 1 milhão de pedidos foram rejeitados pelo INSS.

    Número de benefícios negados cresce 70%

    Entre janeiro e junho de 2026, o INSS registrou 4.319.336 indeferimentos. No mesmo período de 2025, foram aproximadamente 2,54 milhões.

    Assim, o número de pedidos negados aumentou 69,8% em um ano. Enquanto isso, as concessões cresceram 13,41%.

    Durante o primeiro semestre, o INSS concedeu 4.239.522 benefícios. Portanto, os indeferimentos superaram as concessões em quase 80 mil casos.

    Além disso, junho registrou a maior quantidade mensal de negativas do ano. Foram 938.180 pedidos rejeitados.

    No mesmo mês, o instituto concedeu 792.531 benefícios. Dessa forma, a diferença entre negativas e concessões ficou ainda maior.

    Benefícios por incapacidade concentram maioria das negativas

    Entre os pedidos rejeitados no primeiro semestre, 2.762.767 envolviam benefícios por incapacidade.

    Nesse grupo estão o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio doença), o auxílio-acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez).

    Os demais 1.556.569 indeferimentos envolveram outras modalidades de benefícios.

    Assim, os benefícios por incapacidade representaram aproximadamente 64% de todas as negativas registradas no período.

    O que significa ter um benefício do INSS indeferido?

    Segundo o Ministério da Previdência Social, o indeferimento ocorre quando o pedido foi analisado, mas não atende aos requisitos legais.

    Além disso, o boletim estatístico não apresenta uma causa específica para o aumento das negativas.

    Por isso, os números não permitem concluir que todos os pedidos foram rejeitados pelo mesmo motivo.

    Entre as situações que podem provocar uma negativa estão problemas documentais. Também podem ocorrer falta de comprovação do tempo de contribuição e perda da qualidade de segurado.

    Além disso, inconsistências no Cadastro Nacional de Informações Sociais podem prejudicar a análise. A falta de comprovação da incapacidade também pode resultar no indeferimento.

    Especialistas apontam possíveis fatores para o aumento

    Especialistas avaliam que a queda da fila acompanhada pelo aumento das negativas exige atenção.

    Segundo uma das avaliações citadas na notícia, a redução da fila pode transferir parte da demanda para outras etapas.

    Nesse cenário, pedidos negados podem gerar novos requerimentos, recursos administrativos ou ações judiciais.

    Além disso, dificuldades para reunir documentos médicos podem prejudicar segurados. Problemas durante a perícia também podem influenciar a análise dos pedidos.

    Outro especialista citado aponta que os dados disponíveis não indicam, inicialmente, uma irregularidade no crescimento das negativas.

    Segundo essa avaliação, o bônus pago a peritos e servidores contribuiu para acelerar as análises. Como consequência, a fila de perícias caiu nos últimos meses.

    Além disso, a análise do percentual de rejeições ajuda a contextualizar os números absolutos.

    Em junho, a taxa de rejeição chegou a 54,2%. Em 2019, o índice ficou em 44,7%, enquanto 2022 registrou 49,5%.

    Nova regra limita novos pedidos do mesmo benefício

    Outra mudança também alterou o fluxo dos requerimentos.

    Agora, o segurado não pode apresentar novo pedido enquanto houver processo em andamento para o mesmo tipo de benefício.

    Assim, um novo requerimento pode ser apresentado somente 30 dias após a primeira decisão.

    Isso ocorre porque o processo continua pendente durante o prazo para apresentação do recurso administrativo.

    Segundo avaliação, a medida busca enfrentar o excesso de demanda do INSS. Entretanto, a regra também pode gerar custos aos segurados.

    Isso ocorre porque novos pedidos podem corrigir falhas documentais, complementar informações ou solucionar problemas no requerimento anterior.

    Além disso, a restrição pode aumentar o tempo efetivo de acesso ao benefício. O impacto pode ser maior para quem enfrenta dificuldades com documentos ou canais digitais.

    Atestmed também pode influenciar o aumento das negativas

    Outro possível fator envolve o Atestmed, procedimento que analisava documentos enviados pelo segurado para concessão do benefício. O procedimento foi substituído pela perícia médica presencial em determinadas situações, com a mudança, a análise pode resultar em negativa já na etapa documental.

    Especialistas também apontam que o modelo anterior apresentava diferenças no fluxo de concessão e análise dos pedidos.

    Por isso, a alteração pode ter contribuído para o crescimento dos indeferimentos. Entretanto, a avaliação precisa considerar outros fatores do sistema.

    Governo explica aumento das decisões

    O Ministério da Previdência Social informou que a aceleração do trabalho aumentou o número de decisões do INSS.

    Além disso, houve crescimento no número de requerimentos recebidos pelo instituto.

    Segundo o governo, quanto mais pedidos chegam e mais processos são analisados, maiores ficam os números absolutos de concessões e indeferimentos.

    O Ministério também informou que a taxa de concessões alcançou 49,5% no primeiro semestre de 2026.

    Segundo a pasta, esse percentual está próximo da média histórica recente do INSS.

    Segurado pode recorrer de benefício negado

    Quem discordar da decisão pode apresentar recurso administrativo gratuitamente.

    O recurso deve ser encaminhado ao Conselho de Recursos da Previdência Social em até 30 dias após a análise.

    Além disso, o segurado pode buscar a revisão da decisão pela Justiça, caso considere necessário.

    Dessa forma, a fila do INSS cai enquanto indeferimentos aumentam, mas os segurados continuam com mecanismos para contestar decisões.

    O recurso permite apresentar novos elementos ou questionar a análise realizada pelo instituto.

    Fonte: g1.globo.com

    Foto de Mello & Furtado Advocacia

    Mello & Furtado Advocacia

    Advogados especialistas em direito previdenciário.

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